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Aurora Chalybs Albus

Yochanan


Uma leve bruma pendia sobre os campos enquanto o bruxulear das chamas que aqueles homens e mulheres de negro carregavam lançavam estranhas sombras sobre a pendente que levava ao antigo templo romano que se erguia em ruínas na propriedade.

Ao longo do dia anterior figuras sombrias se haviam unido aos membros da Ordem que já viviam no Paço dos Arcanjos, igualando a população daquele lugar à de uma pequena vila. E os mestres se reuniam em conclave desde a caída da noite.

As obras na propriedade se detiveram durante aqueles dias, e todo trabalhador que não fosse membro da Ordem teve férias por aquelas jornadas. O antigo templo romano, cujas colunas teimavam em ficar erguidas, enquanto outras já jaziam partidas sobre a relva orvalhada, havia sido consagrado centenas de anos antes a um deus sombrio seria mantido daquela forma por ordens do Prior. Ali, naquele recinto que, desde que a Ordem passou a utilizar aquela propriedade, se tornou a sala capitular, os mestres se reúnem para tomar as decisões da Ordem.

Dedicado ao deus romano plutão, fato este rememorado apenas por uma estela de pedra negra no fundo do templo, o pequeno templo destilava uma atmosfera de sereno mistério e silencio sacro.

O braseiro de grande diâmetro no centro do templo, usado para aquecer o local estava apagado, e de pequenos incensários, o perfumado aroma de algumas ervas e resinas purificavam o ambiente.

Os Mestres Comendadores estavam reunidos com alguns outros mestres da Ordem para tomar algumas decisões importantes, e relatórios já chegavam de todo o Reino.

Naquela noite sem estrelas, o Prior vestia os trajes cerimoniais da Ordem, com a túnica branca e negra, e utilizando o Grão Colar da Ordem de Azure, em sua mão o anel de prata e safira que havia recebido tantos anos antes brilhava baixo a luz da chama dos candeeiros.

Meus Irmãos, minhas Irmãs – começou o Prior naquela noite sem estrelas. – Nos reunimos aqui hoje para decidir o futuro dos candidatos. Chegaram-me noticias de nossos Gregori e são noticias muito promissórias. Peço ao Mestre dos Gregori que nos informe sobre suas observações.



Obs: OOC: Os Gregori são os observadores encarregados pelo Prior de observar em segredo os potenciais candidatos a pertencer à Ordem. Na maioria dos casos os candidatos e inclusive alguns membros da Ordem desconhecem completamente a identidade dos Gregori, sendo unicamente o Prior e o Alto Conselho da Ordem conhecem a identidade de todos os Gregori.

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Eleazar


O Mestre dos Grigori se levantou do circulo, em suas negras vestes e de rosto descoberto. Sua voz era conhecida e seu semblante também, pois era Eleazar Sayyid o que agora falava.

- Obrigado meu senhor Prior. - disse Eleazar fazendo uma leve vênia ao dizê-lo. - Meus senhores e senhoras Mestres do Conselho, todos aqui estamos cientes do último pedido do Mestre Nunes antes de completar seu Caminho por este mundo. E a pedido do Prior, e tendo em consideração os atenuantes do caso, fui pessoalmente fazer a avaliação final das candidatas.

Ante a menção do nome Nunes houve um murmulho geral entre os mestres-comendadores do conselho. Ao que Eleazar fez uma pausa antes de continuar. Concluiu sua exposição dos acontecimentos observados afirmando - É da opinião dos Gregori que as candidatas são dignas de usar o negro e a prata. - e finalizando com uma vênia antes de sentar-se novamente enquanto os mestres sussurravam entre si.
Yochanan


Após a exposição de Eleazar, o Prior se levantou novamente em meio ao murmulho dos mestres do conselho, e fez um gesto com as mãos pedindo que o silêncio se instalasse novamente no recinto, enquanto dizia - Mestres, por favor...

Assim que o silêncio se instaurou novamente o Viana continuou: - Obrigado Maese Eleazar, o conselho terá em consideração vossas observações. No entanto tenho entendido que Mestre Dimas quer endereçar um pedido ao Conselho nesta oportunidade. - Disse o Prior indicando ao ancião mestre, ao que os cochichos recomeçaram entre os membros mais jovens do conselho, para quem o velho Dimas era praticamente uma lenda.

Enquanto o conselho se fechava em conclave no templo, ao outro lado dos muros em um local oculto do bosque que lindava com as terras do Paço o pequeno grupo que cuidava das candidatas esperava baixo o olhar atento dos Gregori, desde ali apenas uma pequena porção das muralhas era visível, e nada mais além dela. Ali eles esperavam por um sinal.

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Beatrix_algrave


Enquanto isso, Beatrix aguardava com Nicole e estava um pouco impaciente, mas procurava permanecer calma. As últimas semanas foram muito tensas e muitos acontecimentos haviam mudado a rotina de Beatrix que as vezes se sentia quase uma fugitiva. Apesar das palavras finais de Russel sobre Nicole, Beatrix continuava ao lado dela e depositando-lhe sua confiança. Ela se sentia diferente em alguns aspectos, e ainda não sabia se essa mudança era boa ou ruim. Talvez nem uma coisa nem outra, talvez a mudança fosse apenas necessária.

Beatrix: - O que será que está acontecendo enquanto esperamos aqui?

Beatrix perguntou em voz baixa, para que apenas Nicole a ouvisse.

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--Dimas


Apoiado em seu bastão, Dimas se levantou com a dificuldade própria da idade que já começava a cobrar seu quinhão na saúde do velho mestre.

- Assim como o inverno cede o passo à primavera, o velho deve ceder o passo aos mais jovens. A renovação eterna é a constante que rege esta terra. Os filhos sucedem aos pais, os aprendizes sucedem aos mestres. - começou a dizer com a voz baixa e rouca, mas ainda assim ela se projetava pelo recinto e alcançava a todos perfeitamente.

- As Trilhas são muitas, os Caminhos são infinitos, e cada um deve trilhar o seu. O nosso destino futuro está traçado com as nossas ações presentes, e até o mais pequeno peão pode mudar tudo. Um sopro nas sombras pode ser mais benéfico ou mais perigoso que qualquer outra arma que um homem possa portar. Há 12 anos nos esquecemos disso, e isso quase levou a Ordem ao seu fim. - continuou o mestre com um tom ligeiramente melancólico no final.

- As batalhas que travamos naqueles dias foram duras, e o nosso inimigo foi cruel, a causa de grandes sacrifícios conseguimos envia-los de regresso à Albion. Mas nós também ficamos enfraquecidos, e muitos poucos fomos os que sobrevivemos. Mas a Ordem perdurou, e agora nos encontramos ante uma nova alvorada, e devemos preparar-nos em todos os frontes pois aproveitando-se de nosso tempo de debilidade nossos inimigos se fortaleceram, e agora sua ambição começa a colocar em perigo o trabalho da Ordem. - Dimas ficou em silêncio por um momento e então concluiu. - Portanto venho perante vocês, com o aprouver de nosso Prior, com mais um nome para o vosso crivo.

Do lado de fora os irmãos e irmãs da Ordem aguardavam o resultado daquele conclave, a tensão era palpável entre os homens e mulheres no Paço dos Arcanjos e se estendia ao grupo que estava aguardando junto às sombras do bosque.
Lady_moon
Para Nicole aquele bosque era um déjà vu do passado mas no presente ela não se sentia assustada ou retulante por ter de obedecer aqueles mesmos homens que a vigiavam enquanto esperavam a ordem do seu mestre, e nesse conjunto de homens estava a única pessoa que desde de criança partilhava os seus temores e pequenos episódios de felicidade ou até mesmo a sua vida sem pensar nas consequencias que iriam trazer no futuro...

-O nosso destino...

Nicole respondeu a Beatrix morbidamente enquanto observava os traços de Madalena e perguntava se a si mesma como apenas um pequeno grupo conseguiu tantas vitimas.Provavelmente iriam demorar a oferecer informações e pelos rostos dos tais Gregoris como Dimas tinha mencionado uma vez...eles nada lhe iriam contar, apenas fechou os olhos e deixou que sua mente a levasse para o passado...o mesmo passado que a conduziu àquele bosque...

[Meados de 1459- Algures em Castela]

{Nicole}

Na sua infância permanecia entre os portões do castelo implorando a seu avô para que a deixasse participar numa caçada, desejava saber e sentir como era caçar .Seu avô uma vez prometera lhe que quando esta aprendesse a usar um arco e uma lança, teria a sua oportunidade de caçar...

A forma como seu avô falara, levara a pequena com os dez anos a implorar à sua tia e aos guardas que lhe ensinassem a usar um arco e até mesmo uma lança. No seu décimo quarto aniversário fora presenteada com uma caçada pelo seu avô.

Nunca esquecera aquela caçada... a forma como matara a sua segunda vítima com o seu arco, ali mesmo prometera a si mesma que faria tudo para que seu avô a tornasse uma predadora.

Ironicamente ela tornou a caça do seu próprio clã e dos seus aliados, e naquele momento escondida entre duas árvores com fome e sede, e com resquícios de sangue do último mercenário eliminado.Com medo nos seus olhos observava-o a conversar com um homem de cabelos escuros que se apresentara por Eleazar, um velho amigo de Arnold, a língua que utilizavam parecia ser o português, uma língua que sua preceptora a obrigara a estudar. Uns dos poucos murmúrios audíveis que conseguira captar a levava a crer que ela era um inimigo a abater. Com isso tentara levantar se mas uma mão no seu ombro a obrigara a sentar de novo.


-Arnold....-Nicole sussurrou assustada com aquele homem de cabelos brancos e curtos, e que estava ligeiramente curvado que parecia ter inofensivo no entanto a segurava com força talvez ela estivesse fraca após meses em fuga.


-No hay nada que temer pequena Nicole. No lhe haremos nenhum mal menina. - O sotaque do velho era forte e desconhecido mas conseguiria entender o que o velho lhe tentava transmitir, mesmo que usasse um tom de voz suave e tranquilo.... - E não dejaremos que nada que no puedas lidar por ti mesma ocorra a ti o a tu amigo allí - ....Nicole continuava temerosa e decidiu responder na sua língua materna enquanto olhava para onde o velho indicava.

-They will not stop ... I'm the hunt...*

Nicole olhou para aquele homem confusa com os seus atos, suspirou tentando acompanhar a conversa daqueles três homens.

-Bien vindo Arnold.-Após as últimas palavras do velho desconhecido Nicole sentiu se abalada como nunca se sentira antes, estava perdida...


{Dimas}

-No hay nada que temer pequena Nicole. No lhe haremos nenhum mal menina. - O sotaque castelhano do velho era forte e ainda assim ele desconhecia se a pequena entenderia alguma palavra, mas usava um tom de voz suave e tranquilo. - E não dejaremos que nada que no puedas lidar por ti mesma ocorra a ti o a tu amigo allí - completou indicando a Arnold.

-They will not stop ... I'm the hunt...*

Ante aquela resposta o velho apenas ofereceu um sorriso bondoso à pequena e passou a suavemente a mão nos cabelos e limpou uma pequena gota de sangue que escorria pelo rosto da menina. Então deixou-a e se reúniu com Eleazar e Arnold.

- Esta noite não será derramado mais sangue. - disse autoritariamente olhando para Eleazar. O que a pequena não sabia é que ao redor deles cerca de uma vintena de corpos jaziam fora do alcance do olhar deles. - Prepare o grupo, partiremos de imediato, aqui estamos mui expostos.- Ao que o rapaz de cabelos negros fez uma vênia e se retirou não sem antes lançar um último olhar para Nicole. Dimas o seguiu, dedicando um sorriso amável à pequena e sem olhar o rosto de Arnold posou a mão esquerda sobre o ombro direito dele e disse: -Bien vindo Arnold. E assim aquele grupo de negras vestes se fundiu às sombras das quais havia saído momentos antes.



-Eu sou a caça... e eles nunca vão parar...*
Foi colocado uma espécie de povs num só post para que não seja misturado com os outros posts que falam sobre o presente.

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Maria_madalena
Madalena estava silenciosa e introspectiva. Os acontecimentos e revelações dos últimos tempos não tinham sido fáceis e ainda não acordara totalmente para a nova realidade. Muitas perguntas tinham ficado por responder e a cada minuto que passava sentia-se invadida por outras tantas. Não tinha certezas acerca do motivo da sua presença ali. Sentia-se entorpecida e incapaz de raciocinar, tudo lhe parecia desfocado e distante.

Os seus pensamentos foram interrompidos pelo breve cochichar das duas mulheres a seu lado e Madalena olhou-as discretamente tentando encontrar parecenças e sentir uma conexão. Era demasiado cedo, precisava de tempo...

A meretriz passou as mãos de forma nervosa pelo rosto, convencida de que poderia apaziguar a mente por alguns momentos e concentrar-se na cerimónia. Foi só então que observou o recinto e prestou atenção aos indivíduos vestidos de negro.

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Yochanan


No exterior a temperatura caia sutilmente a medida que a noite avançava, mas nada que as chamas usadas para iluminar não espantassem. E da mesma forma que a escuridão se mantinha ao linde de sua luz, também o fazia o frio, afastando-se do calor daqueles fogos.

O conclave seguiu fechado no templo por grande parte da trajetória da lua sobre o arco celeste, e as horas da alba se aproximavam com celeridade, apesar de ainda estarem longe de verem os primeiros raios da matina.

Foi naquele momento que o Prior novamente se levantou de seu assento, e a conversa cessou. Sua voz soou clara no recinto: - Acredito que hemos chegado à uma conclusão quanto às informações que nos chegam das mãos dos Gregori e de Mestre Dimas. - Disse o Prior acenando com a cabeça à Eleazar e a Dimas respectivamente ao mencionar-los novamente. - A eles estou grato. Penso portanto que é hora de darmos inicio ao que aqui nos reuniu nesta oportunidade.

A aceitação do grupo foi geral, ao que então um dos irmãos que estava junto à porta do recinto foi enviado a dar o sinal. A decisão havia sido tomada... para bem... ou para mal...

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--No Bosque--

Os homens cobertos por suas negras vestes eram silenciosos, silenciosos até demais alguns poderiam dizer. Boatos haviam que até o silencio fazia ruido na presença deles. Que eles eram capazes de passar anos a fio sem produzir qualquer som. Muito do que se dizia daqueles homens estranhos eram boatos decerto, mas quanta verdade havia neles, apenas quem chegasse a um dia conhecer a um Gregori poderia dizer com certeza.

Alguns deles observavam o grupo das "candidatas" outros vigiavam os redores, outros ainda observavam os muros do Paço que eram visíveis daquele lugar e por onde lhes seria dado o sinal.

A noite avançava e os astros giravam sobre suas cabeças, ocultando-se por vezes atrás de nuvens, por outras atrás da folhagem do bosque sobre eles. Em determinado momento uma figura se elevou sobre o muro, e descobriu uma luz por três vezes.

- É a nossa vez - disse um dos homens à um de seus companheiros, sua voz era grave e profunda como uma enorme pedra rodando colina abaixo. Ao que o companheiro fez um gesto com a mão em alto, e ao redor de todos as sombras se moveram na escuridão da noite enquanto o primeiro homem se aproximou do grupo e disse: - Senhoritas, Senhor Arnold, queiram acompanhar-nos por obsequio.

O grupo caminharia junto ao muro até chegar à uma discreta porta lateral, de madeira sólida e pesada, com barras de ferro a cruzar-lhe a folha. Por ali eles entrariam e subiriam a colina em direção às fileiras de homens e mulheres de negras roupas e capuzes que lhes cobriam as cabeças, tochas em riste e espadas cingidas. As Cruzes de Azure nas vestimentas perfilando a ambos lados do corredor formado por aquelas sombras humanas. No final do caminho, o ruinoso templo se erguia, na entrada um pequeno grupo vestia vestes brancas e negras, em lugar das completamente negras que eram usadas pelos demais, aguardava o grupo que se aproximava...

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Beatrix_algrave


A resposta que Nicole lhe deu, apenas deixou-a mais impaciente e ansiosa. O silêncio daqueles homens de roupas negras a incomodava, pois era como se seu pensamento soasse mais alto ainda, e as ideias que vinham à sua mente eram perturbadoras.

Entre esses pensamentos estava a preocupação com o irmão Wiliam. Estaria ele realmente bem e protegido? Teriam os Casterwill algo a ver com a morte acidental de sua irmã e sua cunhada? Seu pai também morrera de um acidente...Por que lhe esconderam a verdade, por que lhe contaram tantas mentiras?

A mente de Beatriz não fora preparada para ver o mal em cada sombra. Sua natureza não era desconfiada e os mais próximos poderiam dizer que ela era de fato ingênua em alguns aspectos. A sensação de segurança que a vida em sua terra natal lhe dera, parecia agora totalmente ilusória. Era um sonho perigoso do qual ela parecia ter despertado a tempo. Será? Ela não se sentia mais segura, não conseguia mais confiar, ou confiava desconfiando.

"Meu destino? Meu destino sempre me pareceu estar na ponta da minha espada, na agulha do meu fuso ou na pena encharcada de tinta. Meu destino, eu o faço, eu o crio e ninguém mais. Eu sou a tecelã, não um mero fio de uma trama."

Ela pensava a respeito, mas afinal, foi escolha sua estar ali. Ela respondeu a carta, aceitou o convite e tudo o que se estendia agora era resultado disso. Mas o que viria depois? O que eles queriam dela?

Diante do convite dos homens de negro ela lançara um olhar para Madalena que era uma pergunta que ela completou com palavras rápidas, enquanto se deixava conduzir.

- E ela? Ela não virá também conosco?

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Maria_madalena
Madalena estava cada vez mais nervosa e inquieta. Os cabelos castanhos e desalinhados estavam colados ao rosto, presos no suor, e os olhos dotados de vivacidade estavam inertes e vazios.

O seu torpor foi interrompido pela voz da ruiva e só então compreendeu que estava parada, completamente estática, quando devia estar em movimento a acompanhar os restantes membros daquele estranho e caricato grupo. Os membros da meretriz estavam rígidos e foi difícil quebrar a inércia que a prendia àquele pedaço de solo, quando por fim o fez, Madalena tropeçou num pequeno galho e, inusitadamente, agarrou-se a Nicole, até recuperar o equilíbrio.


Desculpe... - murmurou numa voz contida e pela primeira vez foi acometida por uma sensação de pânico e curiosidade. Afinal aquela era a sua meia-irmã, com quem ainda não tivera verdadeira oportunidade de falar.

Com o retorno do equilíbrio veio também o juízo. E Madalena compreendeu naquele momento que não podia ter dúvidas sobre as decisões que tomara, nem receio do que o futuro lhe reservava.

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Lady_moon
Nicole ainda continuava absorta no seu passado, só acordara quando sentira o toque de Arnold. A pergunta de Beatrix levara inconscientemente a olhar para aquela que por sangue era sua meia-irmã.

Inconscientemente agarrara Madalena com força para que não caísse... pela segunda vez...deixando a frustrada por não entender o que se passava com ela e pelo os olhares curiosos e satisfeitos de Arnold.

Desculpe...

A voz contida de Madalena a fizera acordar e desviar o olhar, precisava de se concentrar apenas no seu único objectivo naquele momento, encontrá los.

-Não os deixemos à espera...
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Yochanan


À frente do templo, no final daquele corredor, de figuras sombrias, tochas e lampejos de luz sobre o metal das armas daquela guarda, cinco figuras de branco e negro aguardavam a chegada dos que pelo caminho se dirigiam à eles.

Os rostos daqueles de branco estavam descobertos, a diferença daqueles que vestiam o negro completo, e os recém chegados podiam reconhecer a alguns deles, de vista ou de nome.

Ao centro do quinteto, um jovem com pouco mais de trinta verões, de torso amplo e robusto, tinha o porte de um exímio arqueiro. Sua pele tostada pelo sol era testemunha de que o rapaz passava mais tempo no exterior que no interior daquela morada. Suas feições eram sérias, e dignas, seus cabelos de um castanho escuro estava manchado por madeixas de um dourado um pouco mais claro e lhe caia na altura da nuca, enquanto a espessa e cuidada barba rente ao rosto, lhe cobria o rosto. As densas sobrancelhas coroavam os olhos claros do jovem, cuja cor ia do verdoso escuro junto à pupila culminando em um disco de azul cinzento no borde da iris. Ele vestia um hábito branco com o centro negro, e lhe cobria os ombros uma capa branca que lhe chegava aos joelhos. Sobre seu peito caia o Grão Colar da Ordem de Azure, o que o identificava como sendo Yochanan Viana, o Prior daquela Ordem.

À sua direita mais próximo a si estava um homem magro que já havia visto seu sexagésimo inverno, apoiado em seu bastão, acentuava sua postura ligeiramente curvada pela idade, sua tez clara se pintava com as manchas da idade, e seus brancos cabelos já cresciam apenas aos lados da cabeça e eram mantidos curtos. Pequenos olhos de um castanho claro se dispunham baixo tupidas e alvas sobrancelhas, enquanto o nariz reto suportava um par de lentes sem qualquer outro suporte, aquele era um presente recente que o velho mestre apreciava muito. Seu olhar era bondoso, mas havia algo na fisionomia dele que inspirava grande respeito e temor. Suas vestes eram idênticas às do Prior, mas sobre seus ombros repousava o colar de prata da Grã Cruz da Ordem de Azure e seu nome era Dimas Arantes.

À direita de Dimas, vestindo roupagens parecidas às dos dois homens, uma moça cuja idade era quase impossível de determinar, aguardava com as mãos baixas e cruzadas a frente do corpo. De estatura e contextura médias, ela era apenas um palmo mais baixa que o Prior e seus cabelos avermelhados caiam livres até um pouco mais abaixo dos ombros emoldurando seu rosto. Seus olhos de um verde profundo, observavam atentamente às jovens que chegavam, principalmente à jovem Nicole, a quem dedicou um discreto meio sorriso, que criou uma pequena covinha em seu rosto, desaparecendo ambos logo em seguida. Sobre seus ombros repousavam os elos de prata da Grã Cruz da Ordem de Azure. A escocesa era a mestre construtora responsável pela reconstrução da villa do Paço, Abi Sheehy.

À esquerda do Prior, com a mão apoiada no pomo da espada que pendia em sua cintura, o homem de tez cor de oliva, tinha a mesma idade que o Prior, mas era de contextura pouco menor, o que lhe dava grande agilidade tanto de corpo como com as armas, algo que alguns daquele grupo que ali chegava bem sabiam. A barba rente ao rosto e os cabelos rebeldes à altura dos ombros, contrastavam com o traje branco e negro igual aos dos outros quatro. Sua postura era digna e seus olhos castanhos tinham um brilho estranho à luz das tochas. Sobre seus ombros pendia a prata da Grã Cruz da Ordem. Eleazar Sayyid, o Mestre dos Gregori da Ordem de Azure.

O quinto membro, daquela comitiva de boas vindas, era quase uma cabeça mais alto que Eleazar, e sua tez e seus olhos mais escuros que os daquele que aguardava à sua direita. Em seu rosto não havia um fio de barba sequer e e seu cabelo negro, era mantido bem curto. E a diferença de seus pares sua espada era ao estilo dos sarracenos. Aqil Nagi al Siddig também tinha sobre seus ombros a prata da Grã Cruz da Ordem de Azura, mas a diferença daquelas que os outros portavam, em lugar da Safira azul no centro da cruz de prata, uma pedra negra a substituía, o signo do elo da Ordem com os misteriosos mestres de Bayt Ghyr Mawf.

Os cinco observavam aos que ali chegavam naquela noite, e foi o Prior quem deu um passo à frente quando eles chegaram. Foram apenas quatro os que chegaram perante o Prior, já que os que os escoltavam foram se misturando às sombras e aos seus a medida que o grupo que partiu do bosque avançava pelo caminho, e este por sua vez, se fechava atrás deles.

Assim foi que quando o Prior falou, estevam os quatro perante ele, e aqueles que vestiam o negro se reuniam atrás deles.

- Beatrix Algrave Nunes de Aragão, Nicole Blanc Nunes de Aragão Casterwill de Monforte, Maria Madalena Nunes de Aragão Casterwill - disse olhando a cada uma, e sua voz soava calma, mas firme e autoritária. - Aproximem-se.

E somente após as moças terem feito o pedido, foi que ele finalmente se dirigiu ao quarto membro daquele grupo. E o fez com um tom de voz muito mais suave que aquele que havia usado para falar com as moças. - Muito tempo se passou meu irmão, sê bem vindo de regresso. - E dizendo isso o Prior desceu os poucos degraus que os afastavam e pousou a mão sobre o ombro de Arnold, e lhe disse algo em voz baixa para que somente ele escutasse, e depois olhando nos olhos dele, completou: - Conheço o vosso juramento, mas sabes que devo pedir-vos que não interfira, elas deverão passar por isso sozinhas. - Ao dizer isso dirigiu o olhar às três, mas principalmente à Nicole e à Madalena.

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Beatrix_algrave


Beatrix seguiu com Nicole e Madalena para o local onde a cerimônia ocorreria. Ela permaneceu silenciosa por todo o trajeto, observando o que se sucedia no caminho, inclusive percebendo que o séquito ia se dissipando à medida que chegavam ao seu destino, onde os que restaram se uniram aquilo que parecia uma espécie de audiência.

Seu olhar esboçava uma curiosidade natural diante de rostos conhecidos, apesar de que esses para ela, eram em menor quantidade do que para Nicole e talvez o mesmo pudesse se dizer em relação a Madalena.

Além dessa reação natural, nada mais se percebia quanto às suas emoções. Ela parecia mais tranquila uma vez que a espera finalmente cessara.

Diante do chamado do prior ela aproximou-se e aguardou que Nicole e Maria fizessem o mesmo. Ela observou com atenção a forma como o Prior se dirigiu a Arnold e é claro, se surpreendeu com a revelação de que o amigo de Nicole fosse membro da Ordem. Ao analisar a reação de Nicole viu que ela não partilhava a mesma surpresa. Obviamente, mais uma vez, ela se sentia a única à margem dos segredos e sussurros e tinha que interpretar sozinha o que se deixava escapar ali nas entrelinhas e meias palavras. Mas as coisas agora pareciam mais fáceis de compreender e ela não se sentia mais tão alheia a tudo como de início. Todo o contexto anterior parecia lhe fornecer as peças para achar que aquele pedaço do quebra-cabeças se encaixava perfeitamente ao conjunto.

Ela apenas aguardou que o Prior indicasse o início da cerimônia e pelo que exatamente ela e as outras deveriam passar sozinhas.

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Lady_moon
Nicole permanecia em silencio, perguntava a si mesma o que a Beatrix estava a sentir ao notar a familiaridade entre o Arnold e a Ordem. Provavelmente seria diferente da sua reação após descobrir a verdade sobre Arnold, talvez sentisse à margem em vez de se sentir traída.

Aproximou se de Prior ao mesmo tempo que relembrara se do momento em que descobrira a verdade sobre Arnold e aqueles homens...


[Meados de 1459- Abrigo da OA em Castela]

{Nicole}

Ao longo da viagem até ao abrigo, a Casterwill pensava em uma forma de libertar se daqueles homens, várias ideias moldavam se na sua mente mas todas levavam na à fome e com certeza à sua morte.

Sabia que naquele momento a sua vida estava por um fio, e nada tinha consigo além de incertezas...incerteza se aqueles que a ajudaram eram aliados ou inimigos...se a deixariam ter uma morte rápida ou a deixariam morrer de fome e sede...a única certeza que tinha era de que seu guarda era um traidor...essa mesma certeza a deixava enfurecida....

O cansaço a levara a adormecer e acordar num quarto diferente daqueles que habitara nos últimos meses, simples e cómodo, encostado à parede estava Arnold usando um colar com um símbolo que outrora encontrara no quarto de Arnold em Bristol.


-Who are they?- Perguntou lhe inexpressivamente.

-A partir de agora terás de usar a nossa língua.

Nicole deu lhe um olhar irritado enquanto tentava relembrar como se falava português.

-Q...u...em tu é...s and eles...?- A dificuldade de Nicole em falar uma língua não materna era nítida e o sorriso presunçoso de Arnold a deixava mais irritada.

-Um gregori...também um espião a serviço daqueles que nos salvaram.

-E them?- Perguntou enquanto levantava se da cama...

-O inimigo dos Casterwill...Os teus novos aliados...

Nicole ficara em choque por alguns segundos ao mesmo tempo que o sentimento de raiva era transmitido nos seus olhos.

-Traitor!!

E (and) Eles (them) Traidor (traitor)

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Maria_madalena
Maria Madalena acatou a ordem do Prior para se aproximar serenamente. Os passos foram firmes e a sua cabeça permaneceu erguida, os olhos atentos àquele homem.

Tratava-se de uma cerimónia envolta numa aura de misticismo e segredos. E as palavras seguintes do Prior só vieram confirmar as suspeitas de Madalena, acerca daquele rito. Naqueles últimos tempos, depois do desnudar de tantas verdades, a meretriz duvidava das escolhas que fizera na sua vida, começava a questionar o que realmente lhe pertencia e fora sua escolha. Sentia-se uma marioneta.

O humor de Madalena escureceu, pois tinha certezas de que os segredos não acabariam ali.

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