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Info:
Neste RP nasce o sentimento entre Donnatela e Adonnis que, futuramente, resultará na adoção da primeira pelo segundo.

[RP - Privado] O Inesperado encontro de um pai e filha

Adonnis
Este RP é Privado. A participação nele é condicionada ao autor do RP


A noite já havia aparecido há algumas horas. Como já era comum, Adonnis perdera a hora na Igreja organizando documentações de fiéis e de cerimônias e, também, documentação da Arquidiocese. Como o Arcebispo Eduardo estava fora da cidade, as responsabilidades administrativas da Arquidiocese recaiam sobre si, enquanto Vigário Geral.

Até que, pouco antes de meia noite, seus pensamentos foram interrompidos.


Reverendo, ainda aqui Padre? A madrugada já chegar, o senhor precisa descansar. Amanhã será um longo dia.

Tem razão, Joaquim! Disse Adonnis. Acabei perdendo a noção da hora em meio a tanta burocracia.

Ao tomar seu último gole de Chá de Tília, o Sagres saiu da Igreja e começou a caminhar em direção ao Casarão dos Ferreira de Queirós.

Sua caminhada era tranquila, sem passos apertados. Ao chegar na Arena, Adonnis parou imerso em lembranças. Foi um dos primeiros lugares que esteve quando chegou em Leiria à anos atrás em busca de seus pais.

Naquela arena se divertiu, lutou, conheceu pessoas, fez amigos, investigou o quanto pode sobre seus pais. Não havia dúvidas que se tratava de um lugar que havia se tornado importante.

O Sagres surpreendeu-se quando se viu entrando na arena. Não era costumeiro estar ali naquele horário, mas estava meio nostálgico por lembrar de como chegou em Portugal perdido em busca de sua origem, de modo que entrar ali, onde não pisava faz algum tempo, foi inevitável.

O jovem Padre sentou-se em um dos bancos e ficou quieto, imerso olhando para a arquibancada, o local onde as lutas ocorriam e se lembrando de sua passagem por ali, perguntando às pessoas sobre seus pais, em busca de localização e informação até que, então, algo inesperado o trouxe de volta à realidade.

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Juiz de Coimbra / Capitão do Porto de Leiria / Mentor-Chefe de Leiria / Diplomata-Chefe do Arquivo Diplomático / Arcebispo de Lisboa
Secretário Lusófono dos Registros Romanos / Missus Inquisitionis / Professor do Seminário Menor de Viana do Castelo
Professor do Seminário Inquisitorial Internacional de Roma / Redator do Ofício de Imprensas de Roma
Donnatela.

Os mochos lá longe piavam e a noite caía, mas Tella ainda não tinha dado o dia como terminado.

Há muito que deixara de contar os dias. Quantos mais sóis passavam, mais a infância ficava para trás, e com ela as pequenas facilidades de viver no bairro de lata - já não havia um sorriso cúmplice quando roubava um pão, nem um olhar de simpatia por parte dos que apenas passavam no bairro para cortar caminho. Por fim, a única casa que conhecera, no bairro de lata, fechou-lhe as portas.

Mal havia juntado o primeiro punhado de moedas que merecesse ser mencionado na sua vida, e as portas fecharam-se na porta de Tella.

Sem saber bem o que fazer, rumara de Alcobaça para Leiria. Ainda se recordava do cheiro a pão fresco nas manhãs, entrelaçado com o doce chamar das maçãs. No entanto, as docas de Leiria, e a azáfama do seu porto, davam ocasionais chances de poder ganhar dinheiro a fazer recados, quando o ocasional desconhecido não reconhecia as feições da pequena ladra.

De resto, ganhava da única forma que conhecia - surripiando bolsos e bolsas. Ora deambulava pela cidade durante o dia, procurando casas desocupadas por os donos irem trabalhar para os campos, ora esperava pela noite, e pelos mais isolados a abandonar as tavernas, embriagados. Claro que levara já uma ou outra sova, mas nunca deixava de arranhar, bufar e até morder quando chegava a isso. Perdera dois dentes de leite à dentada, e as abençoadas fadas haviam-lhe deixado uma bolsa de moedas e uma adaga, que era o seu bem mais precioso.

A arena era, por essa razão, o seu lugar predileto - lá treinava, normalmente sozinha, por vezes com viajantes incautos, que lhe faziam render o final de dia deixando-lhe involuntáriamente à mercê os seus pertences. Além disso, as bancadas eram o abrigo perfeito para as noites, e era provavelmente o sítio predileto de Tella em toda a cidade.

Agora, Tella tentava aprender os mesmos movimentos que espiara dos guardas do castelo de Coimbra, num dos treinos que a guarda organizava periodicamente. Saltava, esbracejando com a adaga, ágil. Subitamente, a pequena imobilizou-se, ouvindo os inconfundíveis passos de botas de alguém que tinha dinheiro para botas. Um sorriso atravessou-lhe o rosto, já a sonhar trocar as botas nas docas na manhã seguinte, e saltou rapidamente para as sombras, deslizando para trás das bancadas.


Adonnis
Em meios aos seus pensamentos, o pensamento corta a cabeça do Padre:

Por Jah! O relatório sobre as frequências das paróquias! Preciso voltar à Igreja para buscá-los.

Adonnis levantou-se e começou a andar pelo escuro corredor em direção a saída da arena.
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Secretário Lusófono dos Registros Romanos / Missus Inquisitionis / Professor do Seminário Menor de Viana do Castelo
Professor do Seminário Inquisitorial Internacional de Roma / Redator do Ofício de Imprensas de Roma
Donnatela.

Tella escutou os passos de alguém que deambulava para dentro da arena. No entanto, o passear lento, cada vez mais perto da entrada para as bancadas em que se escondia, parou subitamente. A pequena deslizou, sorrateira, tentando aproximar-se para ver quem era, mas apenas vislumbrou o vulto que já se voltava para sair por onde viera, agora apressado, claramente com um propósito.

No entanto, o voltar do desconhecido foi o que a pequena precisava para vislumbrar o reconhecível restolhar da batina de um clérigo. Dinheiro, pensou satisfeita, segurando a adaga com afeto, e correndo ligeira atrás do azafamado padre.

Adonnis
Adonnis caminhava até que o barulho de um graveto se partindo chamou sua atenção.

O Jovem Sagres olhou para trás mas ao percorrer o longo do corredor com os olhos não viu nada, de modo que continuou seguindo. Estava tão distraído que não reparara o quão grande era aquele corredor.

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Professor do Seminário Inquisitorial Internacional de Roma / Redator do Ofício de Imprensas de Roma
Donnatela.
O seu recém-adquirido alvo afastava-se em passadas largas. Bufando para si de frustração, Tella passou a correr sem cuidado, caso contrário iria completamente perdê-lo. Mal ele assomasse na saída da arena, não só poderia perde-lo de vista, como pior, poderiam haver testemunhas ou até quem se atrevesse a tentar ajudar a sua presa.

Na pressa de o alcançar, captou a sua atenção. Ofegante, a pequena parou subitamente, como um animal ofuscado pela tocha. As sombras não a deixavam entrever com clareza quem era, mas o rosto do clérigo pareceu-lhe jovem. A sorte surriu-lhe, e o homem voltou-se de novo para prosseguir caminho.

Desatando novamente a correr, Tella calcorreou a distância que os separava até finalmente poder saltar aos joelhos do incauto padre. Sem hesitar, a pequena arremessou-se, tentando derruba-lo, ou pelo menos desnortea-lo o suficiente para ter alguma vantagem inicial.

Adonnis
Os pressentimentos do padre estavam corretos: de fato, havia alguém ali com ele.

Em meio a caminhada, algo acertou Adonnis nas pernas. Não havia sido forte o suficiente para derrubá-lo, mas o suficiente para desequilibrá-lo por um instante e fazê-lo esbarrar na parede.

O coração batia forte quando o Sagres olhou para trás e a surpresa lhe tomou por inteiro.

Tratava-se de uma garota. Com as roupas um pouco rasgadas e um pouco suja, a menina carregava em sua mão uma faca de carniceiro.

Adonnis passa a mão no rosto e tira o suor que da testa pingava nos olhos e, ao olhar mais atentamente, viu que não se tratava de uma faca de carniceiro, mas sim, uma faquinha de manteiga.


Mas o que é isso menina! Exclamou o Vigário. Quem é você e o que está fazendo sozinha aqui?
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Donnatela.
O suor do padre, que fixava a sua adaga como se estivesse a falar com ela, fizeram a pequena franzir as sobrancelhas.

Agachada, e pronta a saltar-lhe em cima se ele se tentasse levantar, apontou para a bolsa do padre.


- Nã' vamos jogar às cem perguntas. Dê o que tiver na algibeira e ambos seguimos caminho. - cerrou os dentes, o olhar fixo nas feições do padre, a expressão teimosa, enquanto apertava a adaga com mais força, como que à espera que ela falasse por si também.
Adonnis
Adonnis sorriu. Já não sabia se era pelo nervosismo ou pela incredulidade pelo fato de uma criança estar fazendo algo assim.

Tentando se ajeitar, diz firmemente:


Você é uma menina. Deveria estar estudando e brincando. Oras! Eu não vou te entregar nada! O que é que você pensa em fazer a respeito?

No íntimo de sua mente, Adonnis rezava o credo, rogando a Jah, a Aristóteles e aos santos que lhe dessem sabedoria para agir corretamente

Eu acredito em Jah, o Altíssimo Todo-poderoso,
Criador do Céu e da Terra
Do Inferno e do Paraíso,
Juiz da nossa alma na hora da morte.

E em Aristóteles, seu profeta,
O filho de Nicomaque e de Phaetis,
Enviado para ensinar a sabedoria
E leis divinas do universo aos homens perdidos.


Mas antes que pudesse terminar, surpreendeu-se com a reação da garota
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Donnatela.
Tella rolou os olhos, impaciente. O homem havia-se refeito rapidamente do susto, o que a aborrecia um pouco, e ter arruinado o seu bluff com sucesso aborrecia-a bastante.

No entanto, as suas palavras não faziam sentido nenhum, e o sorriso que se espalhava na cara do clérigo recordou-a dos sorrisos que via quando era mais pequena, mas que agora quase a irritavam. Uma criança facilmente obtém um pão quando vê tais sorrisos, cheios de comiseração, mas mais frequentemente, a jovem via esse sorriso quando estava prestes a ser rebaixada - como se a vida não lho fizesse só por si.

Exasperada, Tella voltou a bufar.


- Ok, então s'o senhor quer jogar, vamos. Uma luta na arena, e se eu ganhar fico com tudo o que tem. Botas incluídas. - acrescentou rapidamente, fixando os olhos nas botas, que certamente lhe valeriam um par de dias despreocupados.
Adonnis
O sorriso que antes tinha em seu rosto se desfazia por completo. Em seu lugar, uma expressão de pesar se instalava no rosto do pároco. Pensava o que poderia ter acontecido de tão ruim à menina que a fizesse acreditar que o único caminho para a vida seria o crime e a violência.

Está bem! Disse. Mas eu também tenho uma condição: se você não conseguir me derrubar, vai abandonar essa vida de crimes e responderá o que eu te perguntar. Temos um acordo?
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Donnatela.
Saltando para se levantar, em toda a sua altura, a pequena manteve a expressão teimosa e aquiesceu, mas não sem novamente rolar os olhos, incrédula com a ingenuidade do padre, que já lhe estava a parecer infinita.

- De acordo - disse, sem intencionar metade das suas palavras, nem acreditar que perderia. Mesmo que ele ganhasse, tencionava correr para os seus pertences e fugir com eles. Era raro um transeunte que não vivesse no bairro de lata conseguir perseguir os seus habitantes, sobretudo com estes no seu meio-ambiente.
Adonnis
Com a concordância da pequena, Adonnis se dirigiu com ela para o palco da arena. Não tinha a menor intenção de feri-la, mas se não jogasse aquele jogo, talvez não conseguisse mostrar a menina o que realmente queria mostrar.

Ao chegar em meio ao palco, com a bolsa de dinheiro aos seus pés, Adonnis dá um passo à frente e põe-se em postura de combate e então diz


Então, menina! Venha!
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Donnatela.
Tella seguiu o estranho padre, cogitando formas de o atraiçoar e a que artimanhas recorrer. Atravessou-lhe uma vez ou duas simplesmente ataca-lo pelas costas, mas algo lhe dizia que iriam haver repercurssões mais graves do que chibatadas por parte dos guardas locais se alguém ferisse um clérigo, fosse criança ou não - não havia diferença quando a pessoa era do bairro de lata.

O jovem parou na arena e voltou-se para ela. Tella empunhou a adaga, novamente cerrando os dentes, contendo o seu próprio nervosismo. As feições do padre estavam enrijecidas, e o olhar era o de alguém decidido. Tella sentiu um arrepio de hesitação, mas, como um animal encurralado, isso apenas a tornava mais errática e imprevisível.

Inalou, e desatou a correr. O padre levantou os braços, mas Tella já havia fincado os pés no chão antes de se catapultar, arremessando-se para o ferir onde a adaga o alcança-se.
Adonnis
Por um momento, Adonnis se lembrou de seu passado no Exército Real Inglês. Dentro de uma arena, duelando. Só que dessa vez, não era o sangue do oponente que buscava, mas sim sua recuperação.

A menina se mostrava cada vez mais arredia. Para Adonnis, era a expressão de alguém que sofreu e acha que não há outra solução para si senão a violência e a autotutela.

De um instante para o outro, viu a garota arremessar-se contra si com a adaga em riste. Apesar de ser uma criança, deveria tomar cuidado porque sua distração poderia, realmente, dar chance de ser ferido.

Seus olhos fitaram a menina e a arma firmemente. Em um golpe único, Adonnis jogou sua mão em direção a menina e conseguiu segurar a adaga pelo lado do corte.

Sua mão apertou firme a adaga e, enquanto o sangue começava a escorrer, dobrou seu braço esquerdo como uma barreira que, com a aproximação da menina, usou para lançá-la ao chão.


Você perdeu! Achou que um padre seria uma presa fácil? Perguntou sorrindo, mas sem disfarçar a dor do corte aberto em sua mão.
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